A água está acabando?

O planeta terra possui mais de um bilhão de trilhões de litros de água. Entretanto, mais de 97% da água na Terra é água salgada. Do restante, mais de dois terços está congelada nas calotas polares e geleiras, e a água que nos sobra está presa no solo ou aquíferos subterrâneos. Assim, a fração disponível para nós usarmos sempre foi a menor.

Parece pequena a nossa fração de água, mas é muito e seria suficiente se utilizássemos esse recurso com sustentabilidade.

Se estudarmos o ciclo da água, veremos que, todos os anos, cerca de 110.000 milhões de metros cúbicos de água caem sobre a superfície da terra, em forma de chuva (ou neve). Segundo estudos, esse montante daria para cobrir a terra com um metro de profundidade se fosse distribuída uniformemente. Como isso não ocorre, há lugares no planeta em que há água de mais e outros onde há de menos.

No ciclo da água, mais de metade da água da chuva (ou da neve) que cai, evapora ou é absorvida pelos vegetais, mais de um terço retorna para o mar, e menos de 10% é utilizada por nós, nas nossas casas, na agricultura e na indústria.

Então qual é o problema? Onde está a água? Para onde está indo a água?

Inicialmente, é preciso dizer que a água não está acabando. O ciclo da água é fechado, isto é, não se perde e nem se ganha água (há quem defenda que a água pode até aumentar, em razão dos vulcões). O problema é que, em razão da intervenção do homem na natureza, e também pelos fenômenos naturais (El Niño, por exemplo), há lugares em que há muita água e outros em que não há, há lugares em que há muita chuva e há lugares em que quase não chove, como Bom Despacho, infelizmente.

Outra questão importante é a qualidade da água. Embora tenhamos o mesmo volume de água de milhões de anos atrás, a sua qualidade vem sendo diminuída gradativamente, em razão da intervenção negativa do homem nas bacias hidrográficas e pela falta de políticas sérias de armazenagem, tratamento, distribuição e reaproveitamento da água, aliado ao aumento do número de habitantes na terra.

Hoje, quase tudo o que fazemos envolve água de alguma forma. Para muitos, o grande vilão do consumo de água sempre foi a agricultura, que responde por aproximadamente 70% do consumo global de água (em regiões mais áridas, chega-se a 90%). De fato, a irrigação subtrai grande quantidade de água dos rios e interrompe o curso normal dos rios, fazendo com que a água mude o seu ciclo natural e não chegue ao seu curso final com a mesma quantidade.

Mas nós também temos os vilões urbanos, na indústria e no comércio, e nas nossas residências, onde se usa lavadora de roupas, de louças, de carros, tem lavadora para tudo hoje em dia, menos máquinas para reaproveitamento das águas.

Para se ter uma ideia do desperdício, o ranking de saneamento básico divulgado recentemente pelo Instituto Trata Brasil, mostra que, em plena época de seca e escassez de água, 90 das 100 maiores cidades brasileiras não conseguiram reduzir as perdas de água decorrentes de vazamentos, erros de medição, ligações clandestinas e outras irregularidades. Segundo o mesmo instituto, em 62 das 100 cidades analisadas, há perda entre 30% e 60% da água tratada para consumo. Em cidades como Porto Velho e Macapá, a cada 10 litros de água produzidos, – acredite – 7 são perdidos.

A ONU, por sua vez, afirma que, atualmente, há 1,1 bilhão de pessoas praticamente sem acesso à água doce, e prevê que, caso nada seja feito, no ano de 2050, mais de 45% da população mundial já não poderá contar com a porção mínima individual de água para necessidades básicas.

Por isso, mais que diminuirmos o consumo de água, serão necessárias novas legislações e políticas públicas de armazenagem, tratamento, distribuição e reaproveitamento das águas, pois, com esses números, não é demais dizer que a próxima guerra mundial poderá ser pela água.