Brasil já utiliza técnicas para tornar a água salgada em água potável

Para produzir quase tudo o que consumimos usamos grande quantidade de água, não tanto a água que sai da torneira, mas a água invisível, virtual, aquela que foi gasta, em quantidade impressionante, na produção de um bem ou de serviço.

Por exemplo, para produzir apenas uma banana são gastos 160 litros de água. Um ovo, 200 litros. Uma pizza, 1.260 litros. Um litro de etanol, 2.100 litros. Uma camisa de algodão, 2.500 litros e um único quilo de carne, 15.400 litros.

É por isso que de toda a água consumida no mundo, 70% vai para a agricultura. A indústria fica com 20% e, no uso doméstico, gastamos apenas 10%. Se as cidades sofrem com a seca, o que não dizer do campo?

No Brasil, a cobrança pela retirada de água dos rios está apenas começando. É efetiva em algumas bacias de rios do Nordeste e do Sudeste.

Nas bacias em São Paulo, dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, onde a cobrança é pioneira, a água custa R$ 0,01 por metro cúbico captado, R$ 0,02 quando não volta para a natureza e outros R$ 0,10 por quilo de poluição jogado no rio.

“Através da cobrança nós caracterizamos a água como um bem de valor econômico e finito. E, através da cobrança, ou seja, de um controle pelo bolso, nós reduzimos os consumos”, conta Francisco Lahoz, secretário-executivo do Consórcio PCJ.

O Ceará é o estado que melhor cobra: arrecadou R$ 77 milhões no ano passado. Para enfrentar os períodos de seca, o estado fez obras de engenharia importantes, por exemplo, enquanto embaixo passa o canal do trabalhador, por uma ponte acima passa o Eixão das Águas. São duas obras construídas para alcançar um objetivo que é fundamental: interligar o sistema de abastecimento de água do estado.

Os projetos começaram em 1993, com a criação da companhia que gerencia os recursos hídricos do Ceará e tiveram continuidade independentemente das mudanças de governo, o que é raro no Brasil.

Além de usar melhor os recursos de água existentes, está na hora do Brasil olhar para a dessalinização.

“Não é uma solução de curto prazo, mas eu acho que é uma solução que tem que ter, o botão está disponível para ser apertado, usando um termo mais fácil de entender, quando você tiver uma necessidade urgente porque é um processo que demora para ser concebido, para ser implementado”, explica Newton Azevedo, representante do Brasil no Conselho Mundial da Água.

No Nordeste brasileiro até existem cerca de 3,5 mil pequenas unidades de dessalinização em poços de água salobra, mas como não há manutenção preventiva, pelo menos 60% delas estão paradas por falta de filtro, bombas quebradas e equipamentos entupidos.