Investimento para tratar esgoto fica em segundo plano

O governo de São Paulo investe em grandes obras de interligação de sistemas como tentativa de amenizar os efeitos da crise hídrica no estado. Porém, investimentos nos serviços de saneamento, que deveriam ser prioritários neste momento, vêm sendo postergados. Esse cenário vai contra a busca por soluções, que devem ter como foco o tratamento de esgoto e o reuso.

Segundo o presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (Apecs), Luiz Roberto Pladevall, os investimentos para o saneamento na cidade de São Paulo estão em segundo plano. Soma-se à esse cenário a crise financeira da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A empresa anunciou nesta semana que quer aumentar em 22,7% a tarifa de água e esgoto.

Para o diretor da Apecs, o maior desafio da capital para o saneamento é urbanizar as áreas com habitações irregulares, responsáveis por grande parte do esgoto despejado nos rios e córregos da cidade. Pladevall aponta que a cidade também enfrenta dificuldades por ser uma região metropolitana.

Em meio à crise, os municípios do estado não refletiram a fundo sobre a questão do Plano Municipal Saneamento Básico, que devem ser prontificados até o ano de 2016. Segundo a advogada em Direito Público da Consultoria em Administração Municipal (Conam), Isabela Giglio, os municípios estão com dificuldade para elaborar o plano pela falta de profissionais especializados e de orientação da União.