Problema de abastecimento de água para consumo no Estado de São Paulo

O evento, destinado a professores e alunos universitários, e simpatizantes de organizações militares evidenciou a “preocupação com a possibilidade do caos social diante um cenário de desabastecimento na região”, conforme a avaliação de dois dos participantes. O diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, o professor de recursos hídricos da Unicamp, Antonio Carlos Zuffo, e a responsável pelo Departamento de Meio Ambiente da Federação de Indústrias de São Paulo (Fiesp) Anicia Pio foram os convidados para traçar os cenários que uma São Paulo sem água poderia atravessar. Com os principais reservatórios em queda desde a semana passada, a região metropolitana enfrenta o período seco com os reservatórios em uma situação ainda mais crítica que o ano passado.

Massato, já habitual na hora de apresentar os piores cenários nesta crise, abriu a porta para a possibilidade da água acabar em julho. Ele afirmou, no entanto, que a conclusão das obras planejadas pela Sabesp pode garantir o abastecimento até o próximo período de chuvas, em outubro.

Por enquanto, a obra que vai ligar a Represa Billings ao Sistema Alto Tietê, uma das principais apostas do Governo de Geraldo Alckmin para evitar o desabastecimento, vai se atrasar pelo menos três meses e só será concluída em setembro, conforme reconheceu o próprio governador nesta segunda.

Perguntado então sobre o que aconteceria se as chuvas continuassem abaixo da média e as obras previstas não ficassem prontas, o diretor da Sabesp respondeu: “Vai ser o terror. Não vai ter alimentação, não vai ter energia elétrica…Será um cenário de fim de mundo. São milhares de pessoas e o caos social pode se deflagrar. Não será só um problema de desabastecimento de água.

Vai ser bem mais sério do que isso…”. A fala, “em tom de brincadeira para evitar imprimir um tom apocalíptico”, foi registrada pelo site operamundi e confirmada, embora contextualizada, por quatro dos presentes no painel. Massato, porém, enfatizou que, tanto a Sabesp como o Governo estão fazendo de tudo para que isso não aconteça. “Água para beber não irá faltar, isso a gente consegue garantir, mas a gente não usa a água só para beber”, disse Massato antes de afirmar que a água vai ficar cada vez mais cara.

Massato discursou sobre como seria difícil a questão logística num cenário sem água, sobretudo nos lugares onde não pode faltar o fornecimento como os hospitais. Só o Hospital das Clínicas precisaria de 1.200 caminhões-pipa por dia, uma quantidade de veículos que São Paulo não tem, nem vai ter, como já alertou o setor. “Os poucos que existem já estão contratados”, disse Massato.

O diretor da Sabesp também mencionou o exemplo de Itu, município do interior de São Paulo onde no ano passado dezenas de famílias ficaram semanas com as torneiras secas e foram registrados distúrbios e assaltos colocando a falta de água como questão de segurança pública.

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